A decisão sobre qual material usar no terreiro de secagem do café é, na prática, uma decisão sobre qualidade de bebida, custo de manutenção e retorno sobre investimento. É uma escolha que poucos produtores tomam com base em dados técnicos, e essa lacuna tem um custo real.
O que diz a pesquisa sobre qualidade do grão
Pesquisa publicada na Revista Agrogeoambiental (v. 9, n. 4, 2017) comparou cinco tipos de terreiro de secagem, incluindo terra batida, lama de cimento, lama asfáltica, concreto e leito suspenso, com três tipos de processamento de café. Os resultados confirmaram que tanto o tipo de terreiro quanto o método de preparo influenciam diretamente a composição química dos grãos, incluindo variáveis de qualidade sensorial. Estudo da SciELO sobre café conilon (Coffea canephora) comparando terreiro de concreto e terreiro híbrido com aeração forçada encontrou que a secagem em terreiro de concreto promoveu maiores valores de sólidos solúveis nos grãos, fator diretamente relacionado à qualidade da bebida e ao potencial de valorização comercial.
Dado técnico (Embrapa / CooperRita): Durante o processo de secagem, a temperatura da massa de grãos deve ser mantida entre 35°C e 40°C para preservar as células do grão. Temperaturas acima disso causam rompimento celular e perda das substâncias que compõem a qualidade. O terreiro de concreto, por sua maior massa térmica e superfície lisa, oferece controle mais estável dessa temperatura em relação a materiais que retêm calor excessivo ou absorvem umidade do solo.
O problema específico do asfalto no terreiro
O asfalto é composto por betume, um derivado do petróleo, misturado a agregados minerais. Sua característica flexível, que é uma vantagem em vias públicas por absorver variações de temperatura do solo, torna-se um problema no terreiro. O material escurece com o tempo, absorve calor de forma mais intensa e irregular que o concreto e é mais suscetível a fissuras com a variação térmica do clima do Triângulo Mineiro. Fissuras no terreiro retêm grãos de café nas frestas, criam focos de contaminação e dificultam a higienização entre lotes.
Durabilidade: o que a ABCP comprova
Segundo a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), pavimentos de concreto têm durabilidade três vezes maior do que os de asfalto. Alex Maschio, gerente Regional Sul da ABCP e diretor do Instituto Ruas, afirma que o concreto “tem uma vida útil muito maior, frequentemente superior a 20 anos, enquanto o asfalto é projetado para durar entre seis e dez anos.” Em aplicações de alto tráfego e carga, como pátios industriais, o concreto pode ultrapassar 30 anos de vida útil com manutenções mínimas. Para terreiros de café, onde o tráfego é de pessoas e equipamentos leves, a expectativa de durabilidade é ainda maior.
Custo de manutenção (ABCP/Portal Pavimento de Concreto):
“Nos primeiros 20 anos, as intervenções necessárias no pavimento de concreto são mínimas, representando apenas 2% a 5% do valor da obra”, segundo Maschio. Já o asfalto, nesse mesmo período, exige operações de tapa-buraco, remendos e frequentemente recapeamento, com custo de manutenção que pode superar o valor original da obra.
O custo total ao longo de 10 anos: quem sai na frente?
Considere uma propriedade que constrói 1.000 m² de terreiro. O asfalto pode apresentar menor custo de implantação inicial, mas em 10 anos o cenário se inverte. O pavimento asfáltico exige manutenções frequentes, que facilmente ultrapassam 2 a 3 remendos estruturais ao longo desse período. O concreto, bem executado, não requer intervenções relevantes no mesmo prazo. Somando o custo do retrabalho, a perda de dias de operação por manutenção e a degradação da qualidade do café por fissuras e irregularidades de superfície, o concreto usinado se consolida como escolha técnica e financeiramente superior para terreiros de médio e grande porte.
Recomendação técnica para a secagem no terreiro de concreto
A temperatura ideal da massa de grãos durante a secagem em terreiro é de 35°C a 40°C, segundo recomendações técnicas da CooperRita e da Embrapa. O café deve ser espalhado em camadas de 2 a 3 cm inicialmente, com revolvimento constante. O terreiro de concreto, por sua superfície lisa e impermeável, facilita esse manejo e evita a contaminação dos grãos por poeira, solo ou resíduos de lotes anteriores. A higienização entre safras é substancialmente mais simples do que em terreiros de asfalto ou lama.
A Concretiza executa terreiros de café em concreto usinado com especificação técnica por tipo de uso, acabamento e espessura adequados à carga prevista, nos municípios do Alto Paranaíba.
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